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Zoeira global com Neymar é pior que o 7 a 1

André Barcinski

09/07/2018 05h59

Desde o início da Copa da Rússia, a Internet foi invadida por uma avalanche de memes, gifs e piadas sobre as ridículas simulações do menino Neymar. E a coisa só piorou depois da derrota do Brasil para a Bélgica.

O que o mundo está fazendo com nosso craque é impressionante. Não lembro ver uma celebridade ser esculhambada com tanta graça e intensidade.

O legal é que as piadas, de forma geral, não têm traço de moralismo ou preconceito. Não estão zombando de Neymar por ele ser brasileiro, nem sugerindo que ele deva ser punido. Estão zombando de Neymar porque ele é risível.

Também não vi nas piadas nenhum ranço de superioridade primeiro-mundista. Pelo contrário: o menino Neymar foi zoado na Índia, Colômbia, México e Paraguai. Vi clipes de crianças brasileiras se jogando no chão em festas juninas e peladas de futebol. Na aula de capoeira dos meus filhos, a molecada se divertiu com um novo golpe, o "Neymartelo", em que eles rolavam pelo chão gritando e segurando o joelho. Uma farra.

Neymar não está sendo criticado, mas esculhambado, o que é muito pior. Porque crítica se esquece, mas a piada é eterna.

Perder é do jogo, e até uma derrota de 7 a 1 pode ser apagada por um triunfo. Na Copa da Rússia, a seleção da CBF jogava bem, era a favorita ao título, e não se via ninguém falando do 7 a 1. Mas para Neymar, o que aconteceu na Rússia foi muito pior do que a goleada sofrida para a Alemanha em 2014. Ele não estava em campo no 7 a 1, e foi bastante poupado das críticas naquela ocasião. Mas depois do teatrinho de rolamentos, gritos e expressões de pavor que Neymar interpretou na Rússia, será difícil reverter sua imagem de presepeiro e cai-cai.

O que acontecerá agora? Como será o primeiro jogo de Neymar em sua volta ao PSG? Será que a torcida adversária gritará "Neymar!" e se jogará na arquibancada? Será que o menino Neymar sofrerá bullying em aeroportos, boates e restaurantes? Quem vai resistir a gravar um vídeo rolando aos pés do próprio Neymar? Quem viver, rolará.

Visite meu site: andrebarcinski.com.br

Sobre o autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.