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André Barcinski

Beck surpreende com disco que lembra tecnopop de Depeche Mode e Duran Duran

André Barcinski

17/01/2018 05h59

Quem acompanha a carreira de Beck Hansen tem percebido como seus últimos trabalhos são diferentes uns dos outros. Beck parece aproveitar cada disco para experimentar coisas novas e tentar parcerias com músicos e produtores diferentes.

"Guero" (2005) foi um disco alegre, cheio de samples e batidas de hip hop, coproduzido pelos Dust Brothers; "The Information" (2006) trouxe um tom mais melancólico e marcou a última parceria com Nigel Godrich, produtor famoso por seu trabalho com o Radiohead; e em "Modern Guilt" (2008), Beck recebeu ajuda do produtor Danger Mouse.

O disco seguinte levou seis anos para aparecer, mas foi estupendo: "Morning Phase" (2014), uma lindíssima coleção de baladas – produzida pelo próprio Beck – que lembrava o pop de FM californiano dos anos 70. É meu disco predileto do cantor.

No fim de 2017, Beck lançou seu 13º álbum de estúdio, "Colors". O trabalho foi uma surpresa para quem curtiu a pegada lúdica e viajandona de "Morning Phase", porque é um disco de tecnopop festeiro e dançante, feito para pista.

Em parceria com o produtor Greg Kurstin, Beck fez uma releitura do pop eletrônico oitentista de Depeche Mode e Human League, e o resultado é um de seus melhores trabalhos.

Ano passado, quando Dave Grohl chamou Greg Kurstin para produzir o mais recente disco do Foo Fighters, "Concrete and Gold", escrevi sobre o sujeito:

Kurstin tem 48 anos, toca piano desde os cinco, foi colega de turma do filho de Frank Zappa, estudou com o pianista do grupo de Charles Mingus, e toca – muito bem – uma renca de instrumentos.

Mas a única informação sobre Greg Kurstin que realmente interessa à indústria é essa: os discos que ele produziu venderam, somados, cerca de 60 milhões de cópias.

Kurstin co-escreveu, produziu – e, em muitos casos, tocou quase todos os instrumentos – em sucessos como "Hello", de Adele, "Blow Me (One Last Kiss)", de Pink, e "Stronger", de Kelly Clarkson, e produziu álbuns de Dido, Kesha, Foster the People, Sia e Elle Goulding, entre muitos outros artistas de sucesso.

O trabalho de Greg Kurstin em "Colors" é marcante. Muitos podem não gostar do estilo "over" da produção do sujeito, mas é inegável que ele tenta de tudo para transformar cada canção em um hit. Nenhum disco de Beck soou tão cheio, intenso e comercial.

Aqui vai um trecho de um show recente em Tóquio em que Beck toca minha música favorita do disco, "I'm So Free". Beck diz que é a primeira vez que eles estão tocando a canção ao vivo, mas a reação da japonesada à canção é demais.

"I'm So Free" tem um desses refrães (sim, o plural de "refrão" é refrães") matadores, pau a pau com os de "Loser", "E-pro" e "Devil's Haircut". É um entre vários grandes momentos de "Colors".

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Sobre o autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu sete livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Em 2019, dirigiu a série documental “História Secreta do Pop Brasileiro”.

Sobre o blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às terças-feiras.