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Depeche Mode e The Jesus and Mary Chain: veteranos em ótima forma

André Barcinski

03/04/2017 05h59

Ambos estão na quarta década de carreira, passaram por brigas e separações de integrantes, e acabam de lançar discos muito bons. Depeche Mode e The Jesus and Mary Chain são grupos com praticamente a mesma idade e que, cada qual em seu estilo, vêm influenciando outras bandas há muito tempo.

DEPECHE MODE – SPIRIT

Formado em Essex, Inglaterra, em 1980, o Depeche Mode surgiu como um dos nomes mais fortes do synthpop, gênero que fez muito sucesso com nomes como Duran Duran, Soft Cell, Ultravox, OMD, Visage, Spandau Ballet, Eurythmics e muitos outros.

O synthpop sempre foi meio que desprezado por ser excessivamente comercial e privilegiar músicas de letras simples e feitas só para dançar, mas o Depeche Mode mostrou que era possível criar canções dançantes e ao mesmo tempo bonitas e dramáticas. Quantos adolescentes não passaram anos de melancolia ouvindo músicas como “Master and Servant”, “Strangelove”, “Personal Jesus” e “Enjoy the Silence”? Onde já se viu uma banda de synthpop exortando o ouvinte a “aproveitar o silêncio”? Só mesmo o Depeche Mode.

“Spirit” é o 14º álbum de estúdio da banda, mais conhecida por sua música eletrônica dançante do que por seu ativismo político. Mas depois que o neonazista – e apoiador de Donald Trump – Richard Spencer, fã de longa data do Depeche, a chamou de “o som da nova direita”, o lançamento de “Spirit”, ganhou mais importância. O álbum é exatamente o oposto do que sugere Spencer: um disco raivoso e que se contrapõe ao conservadorismo que toma o mundo de assalto. Dave Gahan, líder do Depeche, foi sucinto: “Spencer é um filho da puta.”

THE JESUS AND MARY CHAIN – DAMAGE AND JOY

Formado em 1983 em East Kilbride, Escócia, pelos irmãos William e Jim Reid, o The Jesus and Mary Chain criou um som único, que devia tanto à microfonia e barulho do Velvet Underground quanto ao pop dançante e ingênuo dos Beach Boys. O resultado foi um som ao mesmo tempo áspero e acessível, em que guitarras distorcidas jogavam camadas de barulho sobre bases de surf music, e que encantou góticos, pós-punks e fãs de dream pop.

Em quase 35 anos de carreira, o Jesus só tem sete discos de estúdio. A explicação é simples: William e Jim se odeiam e passaram quase 20 anos sem gravar juntos.

Ano passado entrevistei o escritor Irvine Welsh, autor de “Trainspotting”, que conhece os irmãos Reid desde adolescentes, e ele confirmou que a rivalidade dos dois não é lenda. Eles realmente não se bicam. Em 1998, durante a turnê norte-americana de lançamento do disco “Munki”, saíram no braço em vários shows (por coincidência presenciei uma dessas brigas, em Nova York) e só voltariam a entrar juntos num estúdio ano passado, quando gravaram “Damage and Joy”, um disco excepcional, certamente um dos melhores da carreira da banda.

É muito bom perceber que bandas veteranas ainda são capazes de lançar trabalhos tão atuais e relevantes.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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