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Cuidado para não perder o melhor filme do ano até agora

André Barcinski

31/03/2017 05h59

“Os Cowboys”, do francês Thomas Bidegain, estreou há duas semanas e praticamente saiu de cartaz. Procurei hoje e só encontrei duas sessões: uma no Cine Jóia, no Rio de Janeiro, e outra no Cinépolis Iguatemi Aplhaville, em São Paulo.

É uma tristeza que um filme desses fique relegado a tão poucas salas e, por isso, seja visto por um público tão reduzido.

O filme é excepcional, talvez o melhor lançado nos cinemas brasileiros em 2017. Escrevi sobre ele na “Folha”:

O ano está só começando, mas já temos um sério candidato a melhor filme lançado em 2017: “Os Cowboys”, do francês Thomas Bidegain. Difícil imaginar um filme mais comovente, bem realizado e relevante quanto este, que trata de um tema dos mais atuais e importantes: o impacto da ascensão do islamismo na Europa.

Bidegain usa uma história familiar para tratar do tema: numa pequena cidade da França, uma adolescente de 16 anos, Kelly, desaparece. O pai, Alain (François Damiens) sai à sua procura e descobre que ela fugiu com um namorado muçulmano, Ahmed. Inicia-se então uma longa e dolorosa busca pela menina, que leva Alain e seu filho caçula, Kid, a explorar o submundo da cooptação de jovens europeus por extremistas islâmicos.

A princípio, o título “Os Cowboys” pode soar estranho e inadequado, mas há duas explicações para ele. O primeiro é que Alain e sua família são obcecados pelo faroeste norte-americano e participam de festas típicas de caubóis. O segundo é que o filme é uma adaptação contemporânea do clássico “Rastros de Ódio” (1956), de John Ford, em que John Wayne interpreta um veterano da Guerra Civil que passa anos em busca de sua sobrinha (Natalie Wood), raptada por índios Comanche.

“Os Cowboys” é o filme de estreia, como diretor, de Thomas Bidegain, um excelente roteirista que escreveu três ótimos dramas dirigidos por Jacques Audiard: “O Profeta” (2009), “Ferrugem e Osso” (2012) e “Dheepan: O Refúgio” (2015), este vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes. Bidegain tem uma capacidade notável de inserir dramas pessoais em contextos sociais importantes. Seus filmes tratam de grandes temas, mas sob a ótica de pessoas comuns, vítimas das circunstâncias.

“Os Cowboys” tem uma estrutura narrativa das mais interessantes, com personagens centrais que somem da história inesperadamente e outros que surgem de repente, mas têm grande relevância para a trama. É um filme diferente do que nos acostumamos a ver no cinema comercial, onde tudo é tão explicado e detalhado.

A maneira como Bidegain desvenda o mistério do desaparecimento da menina é brilhante, e introduz o espectador a uma Europa bem distante daquela dos cartões postais. O filme trata, sem didatismo ou arroubos panfletários, da crescente tensão que tem sido causada pelo aumento da imigração muçulmana para a Europa, e de como isso afeta a vida de pequenas comunidades.

Diferentemente do filme de John Ford em que se inspirou, “Os Cowboys” não tem vilões ou mocinhos. Há, sim, personagens perdidos em meio a um mundo que não parecem mais compreender.

Aos cariocas, sugiro ver “Os Cowboys” no cinema; aos moradores de outros estados, só resta esperar o lançamento em DVD (se houver) ou buscar o filme em algum canal a cabo ou Cine Torrent.

Um ótimo final de semana a todos.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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