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Uma aula de cinema que já dura 60 anos

André Barcinski

13/03/2017 05h59

Aviso com antecedência para você se programar: o Telecine Cult exibe quarta, às 12h15, “Doze Homens e Uma Sentença” (“12 Angry Men”), de Sidney Lumet.

Filmado em 1957, conta a história do julgamento de um rapaz acusado de matar o pai a facadas.

Doze homens se reúnem como jurados do caso. Num voto preliminar, quase todos consideram o rapaz culpado. Todos menos um, o “Jurado oito” (Henry Fonda), que acha que o caso merece uma discussão mais aprofundada.

Isso irrita outros jurados (todos identificados por números; aliás, nenhum personagem é identificado por nome), que querem terminar logo aquilo e condenar o rapaz.

Quem acha que cinema precisa de grandes cenários e produção cara precisa assistir a esse filme, quase inteiramente rodado dentro de uma sala. É extraordinária a maneira como o diretor Sidney Lumet (1924-2011), em seu filme de estreia, cria tensão apenas por meio de diálogos, montagem e jogo de câmera.

No início do filme, Lumet, o montador Carl Lerner e o diretor de fotografia, o russo Boris Kaufman (irmão do grande cineasta Dziga Vertov e que fotografou outros filmes fraquinhos, como “Sindicato de Ladrões”, de Elia Kazan) optaram por lentes grandes angulares e planos mais longos, dando às imagens uma sensação de amplitude e tranquilidade. Com o passar do tempo e a crescente tensão da história, os planos começam a ficar cada vez mais fechados, até chegarem, no fim do filme, a closes nos rostos dos personagens. A edição também acelera gradativamente, dando ao filme um ritmo vertiginoso.

Sidney Lumet conseguiu fazer um “thriller” policial passado dentro de uma sala e sem uma única cena de ação. Pelo contrário: os personagens passam o tempo todo conversando. É por meio dessas conversas que descobrimos não só os detalhes do crime, mas também o passado e ideias desses doze homens.

E o elenco? Henry Fonda, Martin Balsam, Jack Warden, Ed Begley… mas o destaque é Lee J. Cobb, no papel de um homem irascível e amargurado, que tem suas razões pessoais para condenar o rapaz pelo assassinato.

“Doze Homens e Uma Sentença” deveria ser matéria obrigatória em cursos de roteiro. Ali está muito do que se precisa saber sobre desenvolvimento de personagens, criação de diálogos e a possibilidade de inventar uma grande história com recursos cênicos limitados. É uma aula de cinema de um cineasta que depois daria muitas outras: “The Offence” (1972), “Serpico” (1973), “Um Dia de Cão” (1975), “Rede de Intrigas” (1976), “O Veredito” (1982) e “Antes que o Diabo Saiba Que Você Está Morto”, seu último filme, lançado em 2007, quando Lumet já tinha 83 anos.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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