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"A Qualquer Custo" e outros cinco filmes recentes que lembram o grande cinema dos anos 70

André Barcinski

03/02/2017 05h59

Estreou ontem “A Qualquer Custo” (“Hell or High Water”), de David Mackenzie. Não vi todos os concorrentes ao Oscar, mas, dos que vi, é o melhor por algumas léguas (leia aqui minha crítica para a “Folha”).

O filme lembra o cinema americano feito entre o fim dos anos 60 e o início dos 80, época em que Hollywood sofreu uma renovação com cineastas como Scorsese, Coppola, Bogdanovich e tantos outros. Não estou dizendo que “A Qualquer Custo” seja tão bom quanto os filmes desses cineastas consagrados, mas que divide algumas características semelhantes, como a presença de protagonistas anti-heróis, histórias de gente comum lutando contra “o sistema” e um clima geral de pessimismo e paranoia.

“A Qualquer Custo” lembra, em especial, dois filmes: “Um Dia de Cão” (Sidney Lumet, 1975), em que Al Pacino e John Cazale assaltam um banco e fazem os clientes reféns, e o maravilhoso e pouco lembrado “Straight Time” (Ulu Grosbard, 1978), com Dustin Hoffmann no papel um criminoso que sai da cadeia e precisa lidar com um maquiavélico agente de condicional interpretado pelo grande M. Emmett Walsh (e que tal Gary Busey, Theresa Russel, Kathy Bates e Harry Dean Stanton para completar o elenco?).

Nos últimos anos, tenho percebido uma grande quantidade de filmes claramente inspirados pelo cinema dos anos 70. A explicação é simples: os cineastas que estão dirigindo esses filmes passaram a vida toda assistindo a Sidney Lumet, Alan J. Pakula, Arthur Penn, Hal Ashby e, claro, aos já citados Coppola, Scorsese e cia.

Fiz uma lista de cinco produções recentes, todas ótimas, que lembram filmes daquela época de ouro do cinema hollywoodiano:

Movimentos Noturnos (Kelly Reichardt, 2013)

Jesse Eisenberg (“A Rede Social”) e Dakota Fanning (“A Saga Crepúsculo”) fazem um casal de ativistas da causa ambiental que resolvem explodir um reservatório de água em protesto contra a obra, mas a bomba acaba fazendo mais estrago do que eles imaginavam.
Lembra: “O Peso de um Passado” (Sidney Lumet, 1988), com River Phoenix no papel de um adolescente cujos pais vivem sob nomes falsos e fugindo de cidade em cidade depois que uma bomba, colocada por eles em um laboratório de napalm, atinge um funcionário da limpeza do prédio.

Blue Ruin (Jeremy Saulnier, 2013)

Espetacular filme de vingança sobre um jovem que vai atrás dos assassinos dos pais depois que o criminoso sai da prisão. Tem uma das melhores cenas de tiroteio dos últimos anos.
Lembra: “Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia” (Sam Peckinpah, 1974), em que Warren Oates participa, junto com um monte de outros bandoleiros psicopatas, da caçada por Garcia, o galã que engravidou a filha de um senhor de terras mexicano.

O Ano Mais Violento (J.C. Chandor, 2015)

Drama policial passado em 1981, o ano mais violento da história da cidade de Nova York: Abel Morales (o excelente Oscar Isaac, de “Inside Llewyn Davis”, dos Irmãos Coen) é dono de uma empresa que vende gasolina para aquecedores e começa a ver sua empresa sabotada por bandidos depois que anuncia planos de expansão.
Lembra: “O Príncipe da Cidade” (Sidney Lumet, 1981), em que Treat Williams faz um policial que resolve denunciar a corrupção da corporação.

O Mensageiro (Oren Moverman, 2009)

Ben Foster (“A Qualquer Custo”) e Woody Harrelson são oficiais do Exército americano que cumprem uma função das mais tristes: dar notícia a famílias de soldados mortos em combate.
Lembra: “Amargo Regresso” (Hal Ashby, 1978), drama sobre a esposa (Jane Fonda) de um oficial enviado ao Vietnã (Bruce Dern) que acaba se apaixonando por um veterano de guerra paraplégico (Jon Voight). Pode preparar os lenços…

Um Tira Acima da Lei (Oren Moverman, 2011)


Para mim, o melhor filme de 2011. Revi várias vezes e continuo com a mesma opinião. Woody Harrelson faz um policial violento, temperamental, corrupto, racista e maquiavélico, que passa os dias pulando de golpe em golpe. O roteiro é do diretor Moverman em parceria com o incomparável autor policial James Ellroy.
Lembra: “Perseguidor Implacável” (Don Siegel, 1971) – Primeiro filme – de uma série de cinco – em que Clint Eastwood vive o policial “Dirty” Harry Callahan.

Um ótimo fim de semana a todos.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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