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Nem Indiana Jones, Pantera Cor de Rosa ou Mussum escapariam da correção política

André Barcinski

25/01/2017 05h59

indiana_jones_bridge
Era uma tarde chuvosa e resolvi mostrar para meus filhos um filme que marcou os anos 80: “Indiana Jones e o Templo da Perdição” (1984), de Steven Spielberg.

Não revia o filme desde o lançamento, e foi surpreendente notar como ele pode parecer ofensivo a plateias contemporâneas, acostumadas à correção política de nossos tempos.
Duvido que qualquer estúdio hollywoodiano faria, hoje, um filme daqueles.

Para começar, há a questão da apropriação cultural: Indiana Jones parte em busca de pedras preciosas consideradas sagradas para populações de aldeias na Índia. Em certo momento, ele diz que tudo aquilo não passa de superstição.

Os indianos são mostrados como seres primitivos, ignorantes e facilmente manipuláveis. Mesmo os mais abastados agem como selvagens. Na famosa sequência do banquete no palácio real, a cantora Willie Scott (Kate Capshaw) se desespera ao perceber que o cardápio inclui sopa de olhos, cobras vivas e sorvete de cérebro de macaco.

No filme há apenas um grupo de indianos que é mostrado de forma menos caricata: os soldados leais à Inglaterra. Veja essa sequência, em que Jones é salvo por um pelotão de indianos – comandado, é claro, por um oficial britânico.

Se fizesse o filme hoje, Steven Spielberg seria acusado de misoginia e desrespeito à cultura indiana. A tal personagem de Kate Capshaw é uma dondoca fútil e idiota, que só pensa em roupas caras e passa 90% do tempo gritando de pavor. Já a cultura local é amplamente esculhambada: em uma cena, um indiano usa um boneco de vodu para atacar Indiana Jones. Vodu na Índia?

O INGÊNUO VIROU OFENSIVO

Diversões consideradas ingênuas para outras gerações seriam execradas hoje. Aqui vão dois outros exemplos que, por coincidência, mostrei aqui em casa recentemente:

Pantera Cor de Rosa

Meus filhos adoram o desenho clássico da “Pantera”, em especial este episódio do fim dos anos 60, “A Pantera Numa Fria”.

Se exibido hoje, o desenho seria acusado de crueldade contra animais e apologia à caça. Nenhum desenho animado exibiria cabeças de animais empalhados nas paredes.

Originais do Samba

Comprei a caixa de DVDs dos “Trapalhões” e minha filha achou muita graça no Mussum. Contei que, além de grande humorista, ele tinha um ótimo grupo musical, o Originais do Samba, e achei no Youtube o clipe da música mais famosa deles, “Tragédia no Fundo do Mar”.

Se Mussum estivesse vivo e lançasse a música hoje, seria acusado de apologia à violência contra as prostitutas, à brutalidade policial e à tortura como método de obter confissões. Seria execrado no “Feice”.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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