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William Onyeabor morreu, e você precisa conhecer a música dele

André Barcinski

19/01/2017 08h44

William-Onyeabor-Recording
Edição extra do blog para uma notícia muito triste: William Onyeabor, o grande compositor nigeriano, morreu em casa, na cidade de Enugu, na Nigéria, na noite de segunda-feira. Ele tinha 70 anos.

Em 2014, escrevi sobre Onyeabor:

William Onyeabor é um mistério. Nem sua gravadora sabe direito quem ele é ou como gravou suas músicas.

Dizem que ele dirigiu filmes de ficção-científica e estudou cinema na Rússia. Também seria um fanático religioso e magnata do ramo da farinha.

O que se sabe é que Onyeabor é um músico nigeriano que fez discos extraordinários nos anos 70 e 80. O som misturava afrobeat, soul, reggae, guitarras surf e sintetizadores old school. É viciante.

Por muitos anos, canções de Onyeabor circularam entre fãs de música africana (Damon Albarn, do Blur, é obcecado pelo sujeito), até que a gravadora norte-americana Luaka Bop conseguiu contato com o músico e lançou a coletânea “Who is William Onyeabor?”, um dos melhores discos de 2013.

Se você lê inglês, sugiro ler essa reportagem do jornal inglês “The Guardian”, que detalha a busca de Eric Welles, da Luaka Bop, por mais informações sobre Onyeabor.

Depois de alguns anos de pistas falsas, Welles acaba viajando para Enugu, no sudeste da Nigéria, atrás de Onyeabor. Quando chega ao endereço dado, encontra uma casa dilapidada, onde uma mulher o recebe com a pergunta: “Você veio da Rússia?”.

Welles acaba encontrando o músico vivendo em uma mansão decorada com motivos religiosos e fotos de Onyeabor apertando a mão de celebridades locais.

Mas o encontro deixa mais dúvidas que respostas. Onyeabor se recusa a falar do passado, não aceita dar entrevistas e acusa Welles de querer roubar sua assinatura. “Eu fui lá com tantas perguntas a fazer”, diz Welles. “Mas ainda não sei como ele foi capaz de fazer o que fez. Talvez ele não queira relembrar aquele período. Ele disse que sofreu muito durante aqueles anos.”

A história de Onyeabor – ou a ausência de uma história – prova que, mesmo na época da informação instantânea e redes sociais que varrem o planeta, ainda há muita música boa a ser descoberta por aí. Basta procurar.

Desde que foi “descoberto”, Onyeabor recebeu muitas homenagens. Uma das mais legais veio de uma turma de admiradores como David Byrne, Sinkane, Money Mark, Damon Albarn e integrantes de bandas como Hot Chip e LCD Soundsystem, que montaram a banda Atomic Bomb Band e fizeram vários shows, com formações diferentes, em tributo ao músico.

Veja a banda tocando “Fantastic Man” no programa de Jimmy Fallon:

E aqui, um ótimo documentário (infelizmente sem legendas) feito pela “Vice”:

O blog volta amanhã com um texto sobre o filme “La La Land”. Até lá.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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