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Poucos viram um dos melhores filmes do ano (e como foi o BJM na Argentina)

André Barcinski

23/11/2016 05h59

Um dos melhores filmes do ano passou batido pelos cinemas, mas já está disponível em DVD e no Netflix: “Memórias Secretas”, de Atom Egoyan.

Egoyan é um cineasta canadense nascido no Egito. Dirigiu 15 filmes, alguns muito bons, com destaque para o drama “O Doce Amanhã” (1997), adaptado de um romance maravilhoso de Russell Banks.

Em “Memórias Secretas”, Christopher Plummer faz Zev Guttman, um nonagenário que acaba de ficar viúvo e sofre de demência. Na casa de repouso onde mora, Zev conhece Max Rosenbaum (Martin Landau), um sobrevivente de Auschwitz. Max descobre que o oficial nazista que matou as famílias dos dois está vivo e mora nos Estados Unidos com o nome falso de Rudy Kurlander, e convence Zev a sair pelo país para matá-lo.

Só há um problema: existem quatro Rudy Kurlanders no país. Zev terá de descobrir qual deles é o nazista.

Não vou contar mais para não estragar a surpresa, mas posso dizer que o filme é tenso, misterioso, e o final é sensacional. Há muito tempo não via um filme com uma história tão boa e surpreendente. E Christopher Plummer, como sempre, é fora de série.

P.S.: Quarta, dia 23, às 18h, estarei na Livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073) para o lançamento do livro “João Gordo – Viva la Vida Tosca” (Darkside Books), que escrevi em parceria com João Gordo. Haverá debate seguido de sessão de autógrafos. A entrada é gratuita.

BRIAN JONESTOWN MASSACRE NA ARGENTINA

Minha amiga Erika Morais teve a felicidade de ver o Brian Jonestown Massacre em Buenos Aires. Voltou tão empolgada que pedi que fizesse um texto para o blog. Aí vai o relato dela…

Erika Morais

Depois de 26 anos de existência, finalmente The Brian Jonestown Massacre incluiu a América do Sul em uma turnê, dessa vez do recém-lançado álbum “Third World Pyramid”. A banda fez dois shows em Buenos Aires: o primeiro no festival Music Wins, e o segundo no pequeno Niceto Club.

Pouco antes das 21h de 15 de novembro o Niceto já estava completamente abarrotado. O clima era de idolatria. Cerca de mil pessoas se espremiam para chegar o mais perto possível do palco. Fãs quase bêbados, fumando naquele lugar quente a apertado, entoando o grito de arquibancada: “Anton, Anton, olê, olê olê!”

Apesar de Anton Newcombe ser o chefe, o show é impecável graças à banda experiente que o acompanha nos últimos anos. Depois que o guitarrista Matt Hollywood, um dos membros mais antigos da banda, caiu fora (ou foi chutado, já que ele e Anton viviam às turras), a presença icônica e carismática de Joel Gion com pandeirola, maracas e eventuais backing vocals ganhou ainda mais força no palco.

Anton é um ser humano cheio de contradições e de humor volátil. Discursa no palco contra idolatria, sobre como odeia rockstars e o culto à imagem. Mas ama selfie, não larga o celular, fotografa e faz vídeos com as outras bandas nos bastidores dos festivais e publica tudo no Twitter. Quando não está trabalhando, Anton está no Twitter, o dia inteiro postando sobre música, geopolítica, filosofia e misticismo. Nessa turnê se veste de branco e há tempos vive com o pescoço cheio de colares de sementes.

O líder da banda fica no canto esquerdo. Sua crítica ao culto do rockstar não lhe permite ocupar o centro do palco. Estava se sentindo tão à vontade que quando cantou “Nevertheless” parou de tocar guitarra, tirou o microfone do pedestal e deu uns passos para a frente do palco de forma meio desajeitada. De todos os shows que assisti da banda ou em vídeos na internet não me lembro de ter visto Anton fazer isso. Trata-se de um operário da música. O maestro de uma orquestra psicodélica de sete músicos que exige perfeição. Enquanto o guitarrista Ryan Van Kriedt não encontrou a nota exata, a música não seria tocada. Traços de irritação que não duraram muito tempo.

Como de costume na América do Sul, os riffs de guitarras são cantados pelo público, músicas mais conhecidas como “Anenome” e “Open Heart Surgery” são acompanhadas pelos fãs enquanto a banda toda fuma um cigarro atrás do outro.

De repente, faz todo o sentido BJM em Buenos Aires. Uma banda da velha escola psicodélica, que não se rende a modismos musicais, não cai em pressões de mercado em uma cidade da velha escola, onde as pessoas dormem tarde, fumam no lugar que quiserem e pouco fotografam ou filmam o palco.

Perto das três horas prometidas, Anton diz que vai terminar o show, afinal ele tem 49 anos e não usa mais relógio. Fala do filho pequeno que o acorda todos os dias pela manhã. Já está quase na hora de voltar para casa. E celebra a música o como no final das contas é tudo sobre unir pessoas e sobre amor.

Gritos com pedidos de música surgiram da plateia e Newcombe diz com orgulho que não aceita pedidos. Ele é o dono da bola e quem quiser brincar tem que ser do jeito dele. A diferença é que temos aqui o melhor jogador do campeonato. “Going to Hell” é a última música, deixando alguns minutos de microfonia nas alturas, gente suada e alguns marmanjos com lágrimas nos olhos. Foi épico. Anton não joga para o público, mas ainda assim, ou por isso mesmo, saímos todos ganhando. Ah, menos o Brasil, claro. Argentina 2 x 0 Brasil.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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