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“La La Land”: os críticos devem estar loucos

André Barcinski

O musical “La La Land” bateu o recorde de vitórias no Globo de Ouro – sete – e é favorito ao Oscar de melhor filme. Quem lê as críticas da imprensa estrangeira acha que o filme já ganhou lugar no panteão dos clássicos do cinema: é um tal de “exuberante” pra cá, “revolucionário” pra lá e “extraordinário” acolá, que alguns podem querer colocá-lo no patamar de musicais de Bob Fosse ou Vincente Minnelli.

Muita calma nessa hora.

“La La Land” surpreende por ressuscitar um gênero em desuso e de pouco apelo a plateias contemporâneas. É um filme muito acima da média, e dirigido com talento. E só.

O diretor, Damien Chazelle (“Whiplash”) tem o mérito de dar uma roupagem moderna a uma história antiquada: aspirante a atriz (Emma Stone) tenta a sorte em Hollywood e se apaixona por um pianista (Ryan Gosling), um tradicionalista ferrenho que cultua o jazz antigo e sonha em montar um clube para “não deixar o jazz morrer”.

A exemplo de quase todos os musicais, a história em “La La Land” importa menos que a ambientação e a atmosfera. Musicais triunfam ou fracassam dependendo da qualidade de seus números musicais e de seu poder de transportar o espectador a um mundo de fantasia.

E até que o número de abertura de “La La Land” promete: no meio de um engarrafamento em uma freeway de Los Angeles, dezenas de pessoas abandonam seus carros para dançar e cantar. É um plano-sequência de mais de cinco minutos, um prodígio de técnica e coreografia. E o melhor: não tem Emma Stone e Ryan Gosling dançando.

Infelizmente, o mesmo não se pode dizer dos outros números musicais do filme, que sofrem com a técnica simplória e sem brilho dos dois. Nenhuma outra sequência musical é tão bonita e cativante quanto a de abertura, e o filme vai, pouco a pouco, murchando, até sobrar apenas uma história boba, piorada por atuações razoáveis dos atores principais e sofríveis dos coadjuvantes, em especial do músico John Legend.

Os números musicais de “La La Land” são, quase todos, inspirados em musicais do passado. A “Slate” fez uma boa matéria sobre isso (leia aqui), mas esqueceu uma das citações mais óbvias: a de “Les Demoiselles de Rochefort” (no Brasil, “Duas Garotas Românticas”), musical francês de 1967 dirigido por Jacques Demy, cuja cena de abertura foi devidamente surrupiada por Damien Chazelle para a tal sequência da freeway. Veja:

Como explicar as críticas gloriosas ao filme? Acho que “La La Land” se beneficia por ser uma novidade, um filme moderno que presta tributo à época de ouro dos musicais. Por ser diferente e mais ousado do que a grande maioria dos filmes contemporâneos, mereceu a mesma condescendência crítica de outro filme bom alçado à condição de clássico, “O Artista”, uma homenagem ao cinema mudo que em 2011 ganhou cinco Oscar, incluindo melhor filme.

Enfim, “La La Land” merece ser visto. É uma boa diversão, um filme alegre e bonito, ideal para ser visto numa tela grande. Só não é o clássico que estão falando por aí.

Um ótimo fim de semana a todos.

P.S.: Estarei sem acesso à Internet até o início da noite e, portanto, sem condições de moderar os comentários. Se o seu comentário demorar a ser publicado, peço desculpas e um pouco de paciência.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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