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The Damned: 40 anos se odiando

André Barcinski

dandy-damned-group
O baterista odeia o vocalista. O guitarrista – que era baixista até demitir o guitarrista original – não suporta o baterista. O guitarrista demitido acha o vocalista um “poseur” afetado e brigou com o baixista por causa de dinheiro. Ninguém suporta o baterista. Os únicos que parecem capazes de ficar na mesma sala sem sair na porrada são o vocalista e o guitarrista.

Este é, em poucas palavras, um resumo da família The Damned, um dos grupos mais talentosos e disfuncionais do punk.

As muitas brigas e separações são a razão pela qual o Damned não está no mesmo patamar de Clash e Sex Pistols em termos de relevância histórica e popularidade na cena punk inglesa. O Damned é um pioneiro do punk inglês. O primeiro compacto punk a sair na Inglaterra foi deles, “New Rose”, em agosto de 1976. O primeiro LP, “Damned Damned Damned”, também. Em fevereiro o disco faz 40 anos.

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O Damned está em meio a uma turnê pela Europa e Estados Unidos para celebrar as quatro décadas do disco. Da formação original restam apenas o vocalista Dave Vanian e o guitarrista (e ex-baixista) Captain Sensible. O baterista Rat Scabies e o guitarrista Brian James estão longe.

A história da formação do grupo ajuda a explicar não só o relacionamento conturbado entre os integrantes, como seu ecletismo musical. O Damned não é daquelas bandas que se conheceu no colégio e são amigos desde que usavam fraldas.

Chris Millar (Rat Scabies) era carregador e assistente de palco no Fairfield Halls, um grande teatro em Croydon. Numa audição para a banda protopunk London SS (da qual fazia parte Mick Jones, que depois seria do Clash), conheceu o guitarrista Brian James. Impressionado com o talento de James, Millar falou sobre ele para um colega de trabalho, um sujeito inteligentíssimo, engraçado e carismático chamado Ray Burns, que limpava os banheiros do teatro. Burns, que depois adotaria o nome artístico de Captain Sensible, mencionou um cara estranho que havia conhecido num show, David Lett (depois Vanian), um gótico que andava de maquiagem vampiresca, usava sobretudo preto e ganhava a vida trabalhando de coveiro.

A formação original do Damned durou pouco mais de dois anos. Vanian, Sensible, James e Scabies gravaram o sensacional “Damned Damned Damned” e o razoável “Music for Pleasure” (1977). No terceiro disco, “Machine Gun Etiquette” (1979), James já estava fora. Ele retornaria para uma única turnê, em 1991 (por sorte vi um dos shows, no dia 3 de outubro em Los Angeles), mas depois nunca mais tocaria com a banda. Scabies durou até meados dos anos 90 e há 20 anos não toca com Vanian e Sensible.

“Machine Gun Etiquette” é um dos melhores LPs lançados por qualquer banda do período. O Damned mostra um ecletismo impressionante, misturando canções pesadas e rápidas à MC5 e Ramones com um lado mais experimental, eletrônico e dançante. O disco antecipava a guinada para o som gótico que a banda adotaria em discos como “The Black Album” (1980), “Strawberries” (1982) e “Phantasmagoria” (1985).

Veja a banda cometendo sacrilégio punk ao fazer playback de “I Just Can’t Be Happy Today” no programa “Top of the Pops”:

Ano passado o cineasta Wes Orshoski, que havia feito o ótimo documentário sobre Lemmy, lançou “Don’t You Wish That You Were Dead”, contando a trajetória do Damned. O filme foi exibido por aqui no festival In Edit. Se tiver chance, assista.

O blog volta quarta-feira. Até lá.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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