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Há 40 anos, uma bala matou o guitarrista que amedrontou Jimi Hendrix

André Barcinski

06/12/2017 05h59


Em 1º de dezembro de 1977, o guitarrista Terry Kath fez seu último show com a banda Chicago.

Entre 1969 e 1977, Kath havia lançado dez LPs com o Chicago. No fim de 1977, preparava as músicas de um disco solo, programado para sair em meados do ano seguinte. Mas o trabalho não chegaria a ser gravado.

As circunstâncias da morte de Terry Kath nunca foram inteiramente esclarecidas. O que se sabe é que foi uma das tragédias mais estúpidas da história do rock.

Em 28 de janeiro de 1978, Kath ensaiava as músicas de seu disco na casa de Don Johnson, roadie do Chicago. Kath tinha dois hábitos perigosos que, juntos, formavam uma combinação ainda mais arriscada: drogas e armas.

Os relatos sobre aquele dia trágico variam, mas o que se sabe é que Terry Kath começou a mostrar a Don Johnson algumas peças de seu arsenal, explicando detalhes sobre o funcionamento e características de cada arma. Primeiro, pegou um revólver 38, apontou para a própria cabeça e apertou o gatilho várias vezes. A arma estava sem balas, e Johnson só ouviu o clique-clique do tambor vazio.

Johnson advertiu Kath sobre o perigo da brincadeira. "Não se preocupe", disse Kath, "As armas estão vazias". Kath pegou então uma pistola semiautomática 9 milímetros, encostou o cano na têmpora e apertou o gatilho. Morreu oito dias antes de completar 32 anos.

Cerca de uma década antes, numa noite no famoso clube Whisky a Go Go, em Los Angeles, Walt Parazaider, saxofonista do Chicago – aliás, do Chicago Transit Authority, como o grupo era então conhecido – arrumava seu instrumento quando sentiu alguém tocá-lo no ombro. Virou-se e deu de cara com Jimi Hendrix: "Walt, sua banda é ótima, e os instrumentos de sopro são o seu pulmão", disse Jimi, "Ah, e seu guitarrista toca melhor que eu!"

Hendrix ficou tão impressionado com Kath que convidou o Chicago Transit Authority para abrir uma turnê da Jimi Hendrix Experience nos Estados Unidos. Foi a primeira grande tour do Chicago, que pelos 50 anos seguintes lançou 36 discos, entre álbuns de estúdio, LPs ao vivo e compilações, vendendo cerca de 100 milhões de unidades.

Apesar de toda a fama do Chicago, Terry Kath ainda é um ilustre desconhecido para muita gente, com exceção dos muitos guitarristas que ainda se surpreendem ao ouvir faixas como "Free Form Guitar", gravada no disco de estreia do Chicago, em 1969:

Em 2016, a filha de Kath, Michelle, que tinha dois anos quando ele morreu, lançou um documentário sobre a vida breve e intensa do pai. Aqui vai o trailer:

Ainda não consegui ver "The Terry Kath Experience", e confesso que não sou grande fã da música do Chicago, especialmente das baladas melosas que tornaram a banda gigante nos anos 70, mas ver Terry Kath tocando é incrível:

Pena que sua vida e carreira duraram tão pouco. Para quem quiser saber mais sobre Kath e o Chicago, sugiro o documentário "Now More than Ever", no Netflix, que é careta e um tanto chapa branca, mas traz imagens ótimas da banda em ação.

Sobre o autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu sete livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Em 2019, dirigiu a série documental “História Secreta do Pop Brasileiro”.

Sobre o blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às terças-feiras.

André Barcinski