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André Barcinski

1991: o melhor ano do rock?

André Barcinski

16/11/2016 05h59

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Qual foi o melhor ano do pop-rock?

Acho difícil bater 1967, ano de clássicos de Beatles ("Sgt. Pepper's"), Pink Floyd ("The Piper at the Gates of Dawn"), Love ("Forever Changes"), Velvet Undergrond ("The Velvet Underground and Nico"), Jimi Hendrix ("Are You Experienced?") e tantos outros.

Há quem prefira 1971, quando saíram grandes discos de Led Zeppelin ("Led Zeppelin IV"), Marvin Gaye ("What's Going On"), Joni Mitchell ("Blue"), Stones ("Sticky Fingers") e The Who ("Who's Next").

Mas de uma coisa tenho certeza: 1991 foi um ano especial. Há um quarto de século não temos um ano tão bom no pop-rock.

A lista de discos importantes lançados em 1991 é incrível: de "Nevermind" a "Blood Sugar Sex Magik", de "Out of Time" a "Loveless", de "Ten" ao "Black Album" do Metallica, de "Achtung Baby" a "Use Your Illusion".

Aquele ano não foi só marcado por sucessos de venda: também foram lançados discos hoje cultuados de bandas não tão conhecidas, como "Spiderland", do Slint, "Steady Diet of Nothing", do Fugazi, e "Green Mind", do Dinosaur Jr.

Foi em 1991 que grupos que depois se tornariam famosos, como Blur, Orbital e Pennywise, lançaram seus discos de estreia, e artistas veteranos fizeram ótimos LPs, como Motorhead ("1916"), Van Halen ("For Unlawful Carnal Knowledge") e Van Morrison ("Hymns to the Silence").

Existem alguns fatores que ajudam a explicar a grande quantidade de bons discos lançados em 1991. Ali foi o início de um período de bonança financeira para o rock, quando as gravadoras, incentivadas pelo enorme sucesso de bandas então "alternativas", como Guns N' Roses, Faith No More e Nirvana, passaram a investir fortunas na contratação de artistas e na compra de selos independentes.

Bandas até então restritas ao underground, como Sonic Youth, Flaming Lips, Nine Inch Nails, L7, Melvins e Mudhoney, foram contratados por grandes selos. Fortunas foram oferecidas a bandas que, meses antes, tocavam em clubinhos para 200 pessoas. Uma pequena amostra da insanidade que foi a corrida em busca do "novo Nirvana" é que a imensa Capitol Records contratou uma banda chamada Surfistas do Olho do C… (o grande Butthole Surfers).

A MTV estava no auge e boa parte de sua programação foi tomada por essas bandas. Com muita grana circulando, artistas tiveram liberdade para gravar em bons estúdios com bons produtores e contratar diretores renomados para fazer videoclipes.

Claro que a bonança não durou muito: lá por 1996, a imensa maioria das bandas contratadas na esteira do Nirvana já estava no olho da rua. Mas pelo menos a injeção de grana naquele período ajudou o lançamento de muitos discos memoráveis.

100 DISCOS MARCANTES DE 1991

Fiz uma lista de 100 discos marcantes do pop-rock (na verdade, 101, por causa dos dois volumes de "Use Your Illusion", do Guns) lançados naquele ano. Por "marcantes" não quero dizer que todos são maravilhosos (confesso que não sou grande fã de Skid Row, Lenny Kravitz ou Alanis Morrisette), ou que todos foram sucesso de vendas. Mas todos os discos da lista serão lembrados por fãs. Aqui vai a lista, em ordem alfabética…

808 State – Ex:el
Alanis Morrisette – Alanis
Alice Cooper – Hey Stoopid
Altered State – Altered State
American Music Club – Everclear
Babes in Toyland – To Mother
Bananarama – Pop Life
Big Audio Dynamite – The Globe
Billy Bragg – Don't Try This At Home
Blur – Leisure
Butthole Surfers – Pioughd
Carter the USM – 30 Something
Chapterhouse – Whirlpool
Consolidated – Friendly Fascism
Cramps, The – Look Mom No Head!
Crowded House – Woodface
Cult, The – Ceremony
Dinosaur Jr. – Green Mind
Electronic – Electronic
Elvis Costello – Mighty Like a Rose
EMF – Schubert Dip
Erasure – Chorus
Fall, The – Shift Work
Farm, The – Spartacus
Firehose – Flyin' the Flannel
Front 242 – Tyranny (For You)
Fugazi – Steady Diet of Nothing
Genesis – We Can't Dance
Guns N' Roses – Use Your Illusion 1 e 2
Hole – Pretty on the Inside
Inspiral Carpets – The Beast Inside
Jawbox – Grippe
Jesus Jones – Doubt
Joan Jett and the Blackhearts – Notorious
John Mellencamp – Whenever We Wanted
KLF – The White Room
Kyuss – Wrecth
Lenny Kravitz – Mama Said
LFO – Frequencies
Live – Mental Jewelry
Magnetic Fields – Distant Plastic Trees
Massive Attack – Blue Lines
Matthew Sweet – Girlfriend
Melvins – Bullhead
Mercury Rev – Yerself is Steam
Metallica – Metallica (The Black Album)
Monster Magnet – Spine of God
Morrissey – Kill Uncle
Motorhead – 1916
Mr. Bungle – Mr. Bungle
Mudhoney – Every Good Boy Deserves Fudge
My Bloody Valentine – Loveless
Ned's Atomic Dustbin – God Fodder
Nirvana – Nevermind
Nitzer Ebb – Ebbhead
Orb, The – The Orb's Adventures Beyond the Ultraworld
Orbital – Orbital
Ozzy Osbourne – No More Tears
Pearl Jam – Ten
Pennywise – Pennywise
Pixies – Trompe Le Monde
Primal Scream – Screamadelica
Primus – Sailing the Seas of Cheese
Prince – Diamonds and Pearls
Prong – Prove You Wrong
Psychedelic Furs, The – World Outside
Public Enemy – Apocalypse 91…The Enemy Strikes Black
R.E.M. – Out of Time
Red Hot Chili Peppers – Blood Sugar Sex Magik
Robyn Hitchcock and the Egyptians – Perspex Island
Rush – Roll the Bones
Screaming Trees – Uncle Anesthesia
Seal – Seal
Sebadoh – III
Sepultura – Arise
Simple Minds – Real Life
Siouxsie and the Banshees – Superstition
Skid Row – Slave to the Grind
Sleep – Volume One
Slint – Spiderland
Slowdive – Just for a Day
Smashing Pumpkins – Gish
Smithereens, The – Blow Up
Soundgarden – Badmotorfinger
Spin Doctors – Pocket Full of Kryptonite
Superchunk – No Pocky for Kitty
Swervedriver – Raise
Talk Talk – Laughing Stock
Teenage Fanclub – Bandwagonesque
Temple of the Dog – Temple of the Dog
Therapy? – Babyteeth
Tin Machine – Tin Machine II
Tom Petty – Into the Great Wide Open
U2 – Achtung Baby
Uncle Tupelo – Still Feel Gone
Urge Overkill – The Supersonic Storybook
Van Halen – For Unlawful Carnal Knowledge
Van Morrison – Hymns to the Silence
Widespread Panic – Widespread Panic
Wonder Stuff, The – Never Loved Elvis

Sobre o autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu sete livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Em 2019, dirigiu a série documental “História Secreta do Pop Brasileiro”.

Sobre o blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às terças-feiras.