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John Cassavetes: quando o cinema era livre e inovador

André Barcinski

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A Versátil lançou a caixa “O Cinema de John Cassavetes”, com três filmes: “Faces” (1968), “A Morte de um Bookmaker Chinês” (1976) e “Noite de Estreia” (1977), além de um documentário de 50 minutos sobre Cassavetes e entrevistas com alguns de seus atores, como Bem Gazarra e Gena Rowlands, esta também esposa do cineasta.

Em 2011, escrevi para a “Folha”:

Cassavetes foi um dos grandes heróis do cinema independente. E põe “independente” nisso: ele ganhava dinheiro como ator em superproduções hollywoodianas como “Os Doze Condenados” e “O Bebê de Rosemary” e investia tudo em seus filmes. Chegou a hipotecar a casa para fazer “Uma Mulher Sob Influência”.

É difícil imaginar um cinema mais livre que o de Cassavetes. Assistir a um filme dele é esquecer todas as convenções e fórmulas que o cinema comercial vem criando há quase um século.

A maioria de seus filmes não tem “história”, mas uma trama superficial, como se fosse uma direção, um caminho.

Filmes de Cassavetes são polaróides do dia a dia de personagens comuns, porém angustiados e problemáticos. Não há super-heróis ou grandes reviravoltas na trama. As pessoas são o que são: falíveis, imperfeitas e imprevisíveis.

Seus filmes lidam com a vida da classe média americana. Seu tema predileto é o amor, em todas as suas formas: o obsessivo, o ausente e o impossível.

Em “Uma Mulher Sob Influência”, Gena Rowlands, esposa de Cassavetes, faz uma mulher desequilibrada, tentando manter em ordem sua vida com o marido (Peter Falk) e os três filhos. É um dos romances mais absurdos, violentos e intempestivos que o cinema já mostrou.

Nos filmes de Cassavetes, os diálogos são tão fluidos e credíveis que parece que alguém esqueceu a câmera ligada depois de terminada a cena. Não é difícil entender por que atores adoravam trabalhar com ele.

Para o público atual, ver Cassavetes é um desafio. A montagem, o uso do som, as atuações, tudo é diferente do que se vê no cinema contemporâneo.

Fico imaginando o que ele estaria fazendo hoje, com as facilidades que a tecnologia digital proporciona.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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