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O maior trambiqueiro do mundo dos vinhos raros

André Barcinski

Já li histórias sobre falsificadores de dinheiro e obras de arte, mas um documentário no Netflix, “Sour Grapes”, me apresentou a um mundo desconhecido: o dos falsificadores de vinhos.

Dirigido por Reuben Atlas e Jerry Rothwell, o filme conta a história do maior falsificador de vinhos de que se tem notícia: Rudy Kurniawan, um misterioso asiático (Indonésio? Chinês? Ninguém sabe) que inundou o mercado internacional com cerca de 10 mil garrafas falsas de vinhos raros e faturou 35 milhões de dólares com o trambique.

Foi um golpe muito bem planejado. No início dos anos 2000, Kurniawan apareceu do nada em leilões de vinhos nos Estados Unidos e começou a arrematar garrafas por valores muito mais altos do que os de mercado. Dizia-se que ele era especialista em vinhos e herdeiro de uma família bilionária da Indonésia, mas o que Rudy realmente estava fazendo era inflacionar o mercado para vender sua “coleção” por valores exorbitantes.

Mais interessante que o caso policial é a descrição dos personagens que habitam esse mundo de vinhos caros. Foi um mercado que cresceu com o tsunami de dinheiro que chegou a Wall Street na virada dos anos 1990 para 2000. Subitamente, havia muita gente com muita grana e sem ter onde gastar. E mais importante: com pouco conhecimento sobre vinhos, portanto, facilmente enganáveis.

Um dos entrevistados é o multibilionário Bill Koch, dono de uma mansão breguíssima em Palm Beach, na Flórida (onde mais?) e de uma coleção de 43 mil garrafas de vinhos raros, incluindo quatro engarrafados no fim do século 18 e que supostamente pertenceram a Thomas Jefferson. Claro que eram todas falsos.

O filme entrevista produtores de cinema, banqueiros e investidores de Wall Street, que aparecem tomando vinhos de 20 mil dólares em limusines e dizendo frases como “Se você não tem dinheiro para tomar champanhe da safra 1996, é melhor ficar na cerveja mesmo”. Todos eles passaram anos elogiando vinhos que haviam sido falsificados pelo amigo Rudy Kurniawan.

No outro extremo, há o produtor francês Laurent Ponsot, dono da famosa vinícola Domaine Ponsot, da Borgonha, um homem apaixonado por vinhos e revoltado com a inflação de preços causada pelos leilões. Foi Ponsot que descobriu o trambique de Kurniawan, ao ler, no catálogo de um leilão, que ele oferecia vinhos de safras que não existiram.

“Sour Grapes” é um ótimo filme policial-detetivesco sobre um mundo que poucos de nós conhecem. E não, você não precisa saber se um vinho tem retrogosto de bosta de vaca para apreciar o documentário.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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