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The Cramps: o maior caso de amor do rock

André Barcinski

Peço desculpas por ter esquecido uma das efemérides mais importantes do rock: 1º de novembro marcou o 40º aniversário do primeiro show do Cramps. A estreia foi no CBGB’s, em Nova York, em 1976.

The Cramps durou pouco mais de 32 anos e terminou com a morte de Lux Interior, em 4 de fevereiro de 2009.

Em homenagem à maior banda de rock de todos os tempos, aqui vão trechos de uma entrevista antológica de Poison Ivy e Lux Interior ao jornal inglês “Independent”, em 1998, em que eles contam o dia em que se conheceram, no ano de 1972.

Poison Ivy: “Nós dois estudávamos no Sacramento State College no início dos anos 70. Era uma escola estranha, todo o corpo estudantil era formado por hippies e eles curtiam feitiçaria e metafísica. Nos conhecemos em uma aula chamada Arte e Xamanismo. O livro daquele curso se chamava ‘O Cogumelo Sagrado e a Cruz’, e diz que o verdadeiro tema da Bíblia é o cogumelo Amanita muscaria, e que Cristo seria uma metáfora para esse cogumelo sagrado.”

Lux Interior: “A primeira vez que a vi, ela estava andando pela rua pedindo carona, com um top de alcinha e uns shorts curtinhos com um grande furo na bunda, e dava para ver sua calcinha vermelha aparecendo. Eu estava de carro com um amigo, nós dois gritamos ‘Who-o-o-oh!’ e paramos na hora. Fiquei com uma ereção uns três segundos depois de vê-la!”

Erick Lee Purkhiser (Lux) e Kristy Marlana Wallace (Ivy) em abril de 1972 Erick Lee Purkhiser (Lux) e Kristy Marlana Wallace (Ivy) em abril de 1972

Poison Ivy: “Eu tinha visto Lux pelo campus e o achava extremamente exótico. Ele usava calças com uma perna de cada cor (…) eu estava na aula de Arte e Xamanismo quando vi Lux entrando na sala. Comecei a emitir ondas cerebrais psíquicas: ‘Sente ao meu lado! Sente ao meu lado!’ E ele sentou. Era meu aniversário [20 de fevereiro]. Não sei se foi algo de vidas passadas, mas senti que o conhecia por toda minha vida. Não parecia que tínhamos acabado de nos conhecer.

De acordo com certos textos de astronomia, Lux e eu não deveríamos ter nos juntado, e a razão é que a função da astrologia é manter a ordem social (…) Tem a ver com casamentos arranjados e como um certo homem deve pertencer a certa mulher, porque eles iriam se encaixar perfeitamente na ordem social e não causar problemas (…) acho que somos o tipo de casal que alguns tentariam deixar separados, porque juntos criamos muitos distúrbios.”

Lux Interior: “Isso (o Cramps) é nosso bebê, é algo que fazemos juntos e que protegemos com todas as nossas forças. Também apreciamos o fato de que inventamos essa coisa chamada The Cramps, e dali surgiu toda uma subcultura de pessoas em todo o mundo, e sentimos que as representamos. Pensamos em ter filhos, mas estamos sempre tão ocupados fazendo isso. Parece mais importante para nós. Temos três gatos e odiamos deixá-los sozinhos quando saímos em turnê, então não dá nem pra imaginar como seria ter um filho.”

Poison Ivy: “Não somos casados. Não sei como chamar a situação que vivemos. Somos profundamente apaixonados e sentimos que estamos juntos por mais tempo do que nossas vidas, mas não conhecemos nenhum ritual em particular que poderia consagrar nosso relacionamento de forma que faria sentido para nós. Certamente não precisamos de nenhum tipo de cerimônia institucionalizada. A natureza sustenta nossa união.”

Lux Interior: “Ela cresce como uma árvore. Ela é multifacetada como um diamante. Há milhões de lados na Ivy e eu simplesmente amo todos.”

Poison Ivy: “É fácil amá-lo. Ele é alguém com quem eu posso enlouquecer, e isso eu sabia desde o primeiro momento em que o vi. Pensei: ‘Caramba, o que vai acontecer agora? Com certeza será algo excitante!’. Ainda está acontecendo.”

Para finalizar, aqui vai um trecho de um de meus shows preferidos no Youtube: The Cramps no festival Oya, em Oslo, Noruega, em 2006. Tudo nesse show é perfeito: a banda, o repertório, o local, a empolgação do público, e a embasbacante quantidade de lindas norueguesas pululando de todos os lados. Um dia perfeito.

Sobre o Autor

André Barcinski é jornalista, roteirista e diretor de TV. É crítico de cinema e música da “Folha de S. Paulo”. Escreveu seis livros, incluindo “Barulho” (1992), vencedor do prêmio Jabuti de melhor reportagem. Roteirizou a série de TV “Zé do Caixão” (2015), do canal Space, e dirigiu o documentário “Maldito” (2001), sobre o cineasta José Mojica Marins, vencedor do Prêmio do Júri do Festival de Sundance (EUA). Atualmente dirige os programas “Eletrogordo” e “Nasi Noite Adentro”, do Canal Brasil.

Sobre o Blog

Música, cinema, livros, TV, e tudo que compõe o universo da cultura pop estará no blog, atualizado às segundas, quartas e sextas.

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